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Artigos

Revista Fitness
Edição 10-99
Criada inicialmente para atender a um público freqüentador de academias, Olides Canton lançou seu primeiro exemplar em Agosto de 1.997. Com uma tiragem de somente 750 exemplares, tem seus leitores principalmente identificados como de classe média, de faixas etárias das mais variadas. A revista é divulgada também em Supermercados, Cafeterias e rapidamente é esgotada. A repercussão é muito boa do público, principalmente de uma coluna na contracapa, de curiosidades do meio social e jornalístico, chamada “De Olhos e Ouvidos”, que obteve tanta popularidade que agora se transforma em Site. Na Revista Fitness, agora com 10 anos, você encontrará curiosidades contemporâneas, e artigos interessantes como a reportagem “Sobreviventes do Andes”, onde o Sr. Álvaro Mangino, um dos heróicos sobreviventes, conta detalhes interessantes desta aventura insólita. Logo a seguir, reproduziremos a sua entrevista, que será dividida em seis capítulos. Participe, enviando seus comentários. Boa leitura!

 
 
 
 
Os Sobreviventes dos Andes - Partes de 1 a 4



 
 

" Alvaro Mangino e José Inciarte são dois dos 16 sobreviventes do desastre aéreo ocorrido em 13 de Outubro de 1972, uma sexta-feira, com um avião bimotor " Focker-27 ", um turbo-hélice da Força Aérea Uruguaia que levava um time de rugby do Clube Old Christian Brothers, que caiu na Cordilheira dos Andes, no lado argentino.

Resgatados pelo Exército Chileno em 23/12/1972, chegaram de volta a Montevideo em 28/12/1972, como heróis nacionais, mas depois que confessaram ter comido carne humana dos colegas mortos, muita gente se escandalizou e passou a vê-los como vilões.

Em 8 de julho deste ano, Alvaro e José estiveram num congresso em Bento Gonçalves e fizeram uma palestra contando como foram aqueles dias que passaram entre a vida e a morte no meio de cadáveres congelados e da neve na Cordilheira dos Andes.

A palestra de Alvaro e José foi dividida ao meio. Primeiro falou José por ser o mais velho da dupla ( são os únicos que fazem palestras desta maneira).

Eles falaram durante uma hora e l0 minutos e  a atenção da platéia em nenhum momento se esfriou. José contou que o avião saiu de Montevideu e fez escala em Mendoza porque o tempo estava ruim pra atravessar a Cordilheira dos Andes.Era o dia 12/10/1972

" Nosso resgate e a nossa sobrevivência foi um trabalho de equipe. Tivemos atitude.Saímos vivos depois que concluimos que a coisa dependia de nós", começou dizendo  porque o depoimento deles tem obviamente o viés de ser de autoajuda.

No avião iam 45 pessoas (5 mulheres e 5 tripulantes). " Iamos a Santiago jogar uma partida de rugby (futebol norte-americano), diz José que tinha 24 anos em 1972 . Hoje tem 58 anos.

Ao meio-dia do dia 13/10/1972 eles foram levados ao aeroporto de Mendoza e a tripulação do avião  não queria partir, conta José. A pressão dos jovens sobre a tripulação (todos militares dos quais não houve nenhum sobrevivente) foi muito grande. " Ustedes são unos maricones" ( vocês  são uns bichas) diziam os jovens aos pilotos que estavam com medo de atravessar a Cordilheira dos Andes por causa do mau tempo.

Como naqueles tempos o Chile vivia uma crise sem tamanho no governo socialista de Salvador Allende, o avião dos uruguaios levava muito mantimento ( o que foi uma grande sorte para sobreviver aos dias seguintes ).

José relata que dentro do avião depois que ele decolou estava tudo tranquilo e os alunos do time de rugby iam se divertindo, jogando " la pelota", prá cá e prá lá dentro da aeronave." Nem dávamos bola pra o que acontecia do lado de fora..."...          

Os passageiros receberam o aviso dentro da aeronave de " apertar cintos" mas segundo José Inciarte, um dos sobreviventes, " ninguém fez caso". Quando o avião - um bimotor Focker-27 - entrou nas nuvensos pilotos(militares) insistiram com os passageiros " sentem-se".

- O avião caiu num primeiro ' buraco' . Foi uma queda braba,brusca, conta José Inciarte. ( Ele teria entrado num ' buraco' de ar quente).

Os jovens puderam ouvir gritos na cabine do avião:
- Da-lhe potência! da-lhe potência! Eram,segundo José,  gritos quase que de desespero.

Houve então,conforme José Inciarte, uma ' segunda ' queda mas esta bem mais forte . muito maior. Ele relata:
- Das janelas não se via mais nada do lado de fora, uma escuridão total.

Um olha pro outro como que perguntando o que estava acontecendo naqueles instantes decisivos de suas vidas. O próprio José lembra passados 34 anos:
- Eu olhei pros meus colegas.Estavam todos apavorados, ninguém sabia o que estava acontecendo.

Ele foi descrevendo para o auditório que o ouvia naquele sábado(8.7.2006) o que foram os segundos seguintes que se transformaram num inferno.
- Houve uma explosão!

O avião chocou-se contra a montanha. E segundos depois fez-se um silêncio sepulcral. Entra ar no avião. E a neve também vai entrando pelo avião junto com o ar. Depois fica tudo azul, o céu está completamente azul. Segundos depois o avião pára de rolar. Poltronas se desprendem da aeronave e " voam" em direção à cabine. Faz-se segundo relata José um silêncio sepulcral.

Depois os que não morreram na queda , começam a ver cenas " dantescas":ferros retorcidos,gritos,choro,gritos de dor,pedaços de corpos,e cor de sangue por todo lado. A mente dos sobreviventes tem poucos segundos pra se adaptar  à nova realidade. Primeiro não quer crer!
- Caí aqui? Por que aqui?

As primeiras reações são de querer desaparecer, ou querer ajudar os feridos. José tinha então 24 anos. Álvaro ,seu colega que está aqui agora neste auditório, quebrou a perna  na queda. Pelos cálculos deles a queda ocorreu entre as 15h30min. Em outubro, naquele dia 13(por azar uma sexta-feira) na Cordilheira dos Andes a noite caiu por volta de 16h30min.
" A noite caiu de golpe. Fica noite rápido" lembra José.
- Foi a noite mais " eterna" da minha vida. Ela não passava nunca. Uma sensação de frio que dó, vou morrer de frio, pensava José.

Os sobreviventes se abraçam pra não morrer de frio. Não podiam parar cinco minutos senão congelavam. A sensação era que não iria nunca mais amanhecer. Álvaro Mangino, um dos 16 sobreviventes dos Andes, deastre aéreo ocorrido em 13/10/1972 - que ficou célebre porque os sobreviventes comeram a carne dos colegas mortos -  tinha apenas 19 anos quando a tragédia se abateu sobre aquele avião militar, da Força Aérea Uruguaia, um bimotor " Focker 12".Ele descreve a tragédia: "estava sentado na altura da asa do avião". Não recorda do choque do aparelho com a montanha:" percebi que os bancos (doavião) escorreram pra frente", diz.

Álvaro declara que com a queda ficou embaixo de um dos bancos. E relembra em que situação se viram aqueles jovens:- Estávamos a 4 mil metros de altura, a menos de l5 graus de temperatura, num local agressivo, numa situação difícl, com colegas mortos e outros feridos. Suas lembranças - narradas junto com José Inciarte, outro sobrevivente em 08/07/2006 num congresso em Bento Gonçalves - dão conta das conseqüências da queda:

" Quebrei uma perna. Um estudante de Medicina me arrumou a perna. Os ossos se juntaram". O estudante de Medicina hoje é um cardiologista. Quando foi resgatado Álvaro não quis mais que mexessem na sua perna.

" Não vamos quebrar a perna novamente", disse. Álvaro diz que a noite de 13/10/1972 " veio rápido" após a queda do bimotor. Foi um horror. Havia muito medo. Foi a pior noite de minha vida,disse ele.Não passava nunca. Segundo ele, dos 45 passageiros, com a queda restaram 29 sobreviventes. " Vinte e quatro deles estavam saudáveis,apenas com escoriações ou ferimentos leves, coisas pequenas como pernas quebradas". Álvaro relata que os sobreviventes menos feridos pensaram logo em organizar-se, mas que havia a idéia de que seriam localizados logo pelos helicópteros que seguramente iriam procurá-los.

Alvaro Mangino diz que na situação começaram a surgir lideranças entre eles.Quem mostrava mais determinação,empenho diante da situação em que se encontravam. Durante 72 dias que permaneceram ali perdidos nas geleiras dos Andes iriam sentir frio,sede e suportar temperaturas negativas de até 30 graus.

"A capacidade das pessoas é inacreditável. Sempre se pode mais" conclui ele.

Álvaro relata que os primeiros dias foram dedicados a resolver problemas como o da sede que segundo ele dói mais do que a fome. Foram descobrir que a neve não servia pra matar a sede porque ela machuca a boca. Depois de comer neve não se pode engolir mais nada. Diante desta realidade eles concluíram que tinham que " fazer" água de alguma maneira.Tiveram então que aplicar a criatividade diante da situação. E como um deles tinha um isqueiro derreteram neve e fizeram um litro de água. O engraçado, lembrou Álvaro, é que nenhum dos sobreviventes queria queimar a nota de dólar que guardava pra fazer fogo e derreter a neve. Mesmo naquela situãção todo mundo queria economizar as notas de dólar.

Foi o sobrevivente de nome Adolfo que achou a solução pra fazer água. Botavam neve numa chapa de alumínio e derretia com o sol. Formou-se uma pequena equipe em torno deste objetivo- fazer da neve água - e o lema criou-se na hora" um por todos, todos por um", todos trabalhavam pra todos...

 ( Continua no próximo episódio... )


Conheça mais sobre a história, nos links abaixo:

http://www.viven.com.uy/571/confInciarteMangino_por.asp

http://sobrevivientesdelosandes.com


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Porquê o " REI " proibiu a biografia

O que tem de interesse público saber onde a Maria Rita tinha câncer? Com esta pergunta o advogado Marco A. campos, advogado de Roberto Carlos no processo pra tirar de circulação a biografia do cantor escrita por Paulo César de Araujo deu a pista do que incomodou o cantor.

Outro dado: na biografia o autor diz que na casa de Carlos Imperial faziam-se festinhas onde se queimava fumo e que seguidamente Roberto Carlos participava delas. Este é no entender de Marco Antônio Campos uma forma sutil de dizer que Roberto Carlos puxava fumo na adolescência. Este e outros detalhes foram discutidos na noite do dia primeiro de junho na Associação Riograndense de Imprensa, num debate sobre liberdade de imprensa e Judiciário.

Campos revelou dados técnicos de como foram feitos os processos para  tirar a biografia de circulação.Foram réus o autor, Paulo César de Araujo, o editor, a Planeta, e a empresa que a colocou na praça. Na verdade,segundo Marco Antônio Campos, não houve uma proibição e sim um " acordo" entre todos os envolvidos pra que o livro não mais circulasse. Roberto Carlos tirava uma ação de indenização que segundo Marco Antônio Campos não tinha cifras em troca de que o livro não mais circulasse.Marco A. campos disse que a editora  chegoua propor ao cantor que elçe censurrasse as partes que o incomodou na biografia mas que ele não permitiu isto senão o cantor passaria por censor.

O advogado queixou-se  muito da imprensa dizendo que principalmente os jornalistas da Veja queriam saber porque  o livro seria queimado e que segundo ele não será feito em hipótese alguma. Segundo Marco Antônio campos durante a feitura da biografia - que levou 15 anos - Paulo César de Araujo fez apenas duas solicitações de entrevistas a Roberto Carlos através da assessoria de i mprensa  e nunca especificou pra que. Outro dado revelado por Campos : quando o jornalista solicitava uma entrevista com alguém relacionado com Roberto Carlos e que não obtinha a concordância pra falar ele pesquisava nos jornais e revistas a opinião dele sobre o cantor e no livro colocou como se as declarações tivessem sido dadas a ele.

Segundo Campos, a biografia contém " calúnica,injúria e difamação" finalizou,deixando claro que biografias não autorizadas são um assunto complexo.

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Metade Sul espera pelo reflorestamento

A imagem do gaúcho na campanha comendo carne gorda e tomando chimarrão não passa de uma fantasia criada em cima de um passado rico. Hoje a metade Sul do Estado passa por grandes dificuldades e há gente até passando fome alertou Júlio Tedesco, ao assumir no dia 7 de agosto último a presidência do Sinpasul( Sindicato  das Indústrias do Papel,Papelão e Cortiça do Estado  do Rio Grande do Sul) no período 2007-2010. Tedesco disse que ao percorrer os municípios da Metade Sul   nas audiências públicas onde a população se manifestou sobre os projetos de reflorestamento das empresas Aracruz Celulose,VCP e Stora Enzo pode constatar durante estes encontros como a população está querendo estes projetos em vistas da penúria porque passa.

Este projeto de reflorestamento criará,conforme ele, um pólo madereiro cujo investimento está calculado em 4 bilhões de reais." O faturamento da cadeia produtiva do setor com os novos projetos  crescerá dos atuais 3,5 bilhões de reais anuais para mais de 8 bilhões anuais e o número de empregos crescerá de 200 mil para mais de 400 mil" enfatizou Júlio Tedesco.

O representante da Aracruz Celulose disse que a destruição de sementes de pinus na invasão de seu parque de sementes na fazenda Barba Negra, tempos atrás, por camponeses do MST(Movimento dos Sem Terra) provocou um prejuízo na empresa porque durante 4 meses algumas frentes de plantio ficaram sem ter o que fazer pela falta de mudas.E nesta invasão foram,segundo ele, destruídas produtoras de sementes que tinham mais de 20 anos.Ele disse que a Aracruz Celulose teve um grande aprendizado com este episódio e que a empresa ficou surpresa tanto com a invasão e destruição do seu parque sementeiro como com a reação da sociedade,que,segundo ele, posicionou-se contra o ato.

 
 

 


Olides Canton

Nascido em 16 de Janeiro de 1.952 na cidade de Serafina Corrêa-RS, Olides Canton passou nesta cidade toda a sua infância e adolescência. Mudando-se para Porto Alegre, cursou a Escola Julio de Castilhos, tornando-se Bacharel em Comunicação Social pelo FABICO em 1.982. Trabalha como Jornalista desde 1970. Trabalhou na Companhia Jornalística Caldas Júnior, Jornal Zero Hora. No Jornal do Brasil e Revista Carga e Transporte atuou como free-lancer. Editor do Jornal de Bordo e Revista Fitness. Conseguiu quatro premios de Jornalismo, um do Badesul, dois do Setcergs e um da ARI. Registro no Sindicato dos Jornalistas RS: 2776 - Registro Jornalista - Mtb 4959.

Telefone: (51) 3330-6803
e-mail: contato@deolhoseouvidos.com.br

Autor de inúmeros livros, Olides Canton firmou-se também como um
exímio contador de histórias contemporâneas.
Conheça agora as obras do autor





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   Julho/2007

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